A cola que me faz seguir em frente

Faz alguns anos, perto dos 40 e logo após minha segunda filha nascer, pude, entre uma fralda e outra, refletir sobre o que havia construído até ali e o que ainda gostaria de fazer tanto profissional quanto pessoalmente (aqui uma divisão didática, já que um está colado no outro).  Decidi que valia a pena trilhar um novo caminho.

Não foi uma decisão fácil já que adorava meu trabalho, meus chefes, meus colegas e a empresa onde estava há tanto tempo. Desapegar-se do crachá requer uma nova construção de si mesmo, quase uma nova identidade.  Confesso que achei que seria mais simples. Se para mim, que escolhi deixar meu emprego e pude fazer uma transição tranquila, foi difícil, quando escolhem por nós (sim, isto já me aconteceu), é ainda mais.

Desapegar-se do crachá requer uma nova construção de si mesmo, quase uma nova identidade.

Qualquer mudança de carreira, independente de quem foi a escolha ou o que motivou a decisão, requer coragem para enfrentar os obstáculos que necessariamente surgirão. Vejo que ao longo dos anos fui adquirindo alguns hábitos ou experiências que considero ainda hoje facilitadores importantes  na transposição das dificuldades encontradas. Divido aqui com você:

  1. Ter uma rede de pessoas para apoiá-lo em diversas esferas. Orientação, abertura de portas, agregar conhecimento, feedbacks sinceros. Tudo isso conta. Foi com as pessoas com as quais construí e cultivei relacionamentos que contei e ainda conto para desenvolver meu trabalho.
  2. Capacitação. Nos dias de hoje, a vastidão de plataformas de aprendizagem disponíveis, permite aprendermos sobre quase tudo, de qualquer lugar e a qualquer hora. A beleza disto é poder conhecer mais de assuntos sobre os quais gostaríamos, mas que antes requeriam maior investimento de tempo e dinheiro e, por isso, acabávamos investindo naquilo que tinha a ver com nosso trabalho.
  3.  Resiliência. Palavrinha muito falada, mas nem sempre fácil de ser praticada. Cair e levantar, recomeçar, insistir mais um pouco. Sim, às vezes vai parecer que pra você as coisas são mais difíceis, que o outro é melhor, que você é azarado. Não, na maioria das vezes, não é. Mas, ser resiliente é fundamental para persistir em direção ao caminho escolhido.
  4. Saber pra onde ir. É muito bom poder escolher ser múltiplo e fazer várias coisas pelas quais você se interessa, mas, ainda assim, tem que ser múltiplo com foco. O foco te guia, te faz andar pra frente, te faz querer levantar da cama mesmo sem ter “nada” pra fazer.
  5. Exercício físico, movimentar o corpo. Cada vez mais pesquisas mostram a importância dos exercícios para a saúde não só física, mas também mental e emocional. Se você tem 30 minutos do seu dia para as redes sociais, tem também para uma atividade física.
  6. Muito autoconhecimento. É este que faz com que você siga pela rota A ou B, que aponta para seus pontos fortes, mas também te diz dos que precisam ser trabalhados para que você siga no caminho que escolheu.

Essas seis “práticas” devem ser nutridas independente da situação atual, mas muitas vezes deixamos pra depois e, sem querer, acrescentamos mais obstáculos a serem superados, pois adotar novos hábitos requer tempo e dedicação. Longe de mim querer fazer delas uma receita de bolo. Não há receita pronta, cada um é único e cada pessoa constrói a sua sozinho ou com ajuda profissional.

Para mim, na construção diária de uma profissão que me faça realizada, estar rodeada de pessoas bacanas, gostar de aprender, ter resiliência e foco, e praticar exercícios sem deixar o autoconhecimento de lado, é como uma cola que me sustenta e me ajuda a seguir em frente.

E você, o que faz para superar os obstáculos encontrados no caminho da realização profissional?

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