Quando comecei a aprender sobre a teoria Requisite Organization de Elliott Jaques o primeiro conceito com o qual me deparei foi Accountability.
Esta palavra até então desconhecida por mim passou a nortear muito do meu pensamento e ações a partir do momento em que ela foi dissociada de Responsabilidade.
Numa organização, ser responsável por alguma coisa é muito diferente de ser accountable por ela. Ser accountable significa “prestar contas” a alguém que ocupa um cargo superior ao meu e a arcar com as consequências disso.
Ser responsável ou sentir-se responsável, normalmente é algo imposto social ou culturalmente. Posso sentir-me responsável por executar algo, mas não necessariamente sofrerei as consequências por não cumprir da forma como era esperado.
A accountability pesa nos ombros, tira o sono. É ela, dentre outras coisas, que faz com que cumpramos com nossos deveres buscando excelência, tomando decisões, identificando caminhos. Ela não é auto-imposta, vem de cima, do desdobramento da hierarquia organizacional. Numa Hierarquia de Accountability Gerencial, os ocupantes de todos os cargos não estão eximidos de lidarem com as consequências, boas ou ruins, daquilo que foi a eles delegado fazer (e que fizeram por decisão própria) por um ocupante de um cargo acima que (idealmente) tem mais capacidade e autoridade, e pode me delegar trabalho. Num cargo gerencial o ocupante presta contas pelos resultados de seus subordinados.
Indivíduos fazem as organizações, mas para tal precisam saber a que vieram. Somente num sistema onde a estrutura organizacional é derivada do pleno entendimento dos objetivos da organização e estes desdobrados com a devida clareza em cada cargo, pode ser ocupado por pessoas capazes de exercê-los em sua plenitude.
Verdadeiras transformações culturais em tempos de demanda por mudanças urgentes, somente são possíveis se, para começar, cada indivíduo que compõe uma empresa sabe exatamente o que é esperado dele, técnica e comportamentalmente, e é accountable por isso.